Google e Facebook concentram a esmagadora maioria da mídia online

Google e Facebook concentram a esmagadora maioria da mídia online

Mary Meeker tem um slide em seu deck de brilhantes apresentações em que mostra que cerca de 75% das verbas de marketing investidas online foram para Google e Facebook ano passado. Dados de mercado mostram que, nos US, cerca de 85% desses mesmos investimentos foram feitos nas duas empresas no primeiro trimestre deste ano.

No Brasil, essa concentração majoritária ainda não ocorreu e por conta do poder da TV no País, mais particularmente da Globo, e ainda mais particularmente ainda por conta da nossa lógica de BV, talvez isso não aconteça da mesma maneira, mas algum movimento nessa direção deverá haver por aqui também.

E o que isso significa?
Significa pelo menos quatro grandes coisas.

Primeiro, significa que foram-se os tempos em que mídia era mídia. Mídia hoje é apenas uma resultante de um avanço atropelado e atropelante da tecnologia sobre o mar de rosas que foi a comunicação comercial desde a edição do primeiro jornal – pioneira manifestação de mídia comercial na história – nos últimos dois séculos.

Não vivemos mais a era da comunicação. Vivemos a era da disrupção, em que as inovações tecnológicas é que comandam não só a lógica da produção e distribuição de comunicação, mas impõem também suas novas dinâmicas e modelos de negócios.

Como diz Martin Sorrell, este não é mais um negócio de comunicação, mas de tecnologia. Foi ele que disse.

Segundo, significa que toda a estrutura da indústria de marketing, criada para os tempos de antanho, precisa e deve mudar nos próximos anos de forma inevitável. Seja para sobreviver, seja para ir buscar rentabilidade no seio da nova ordem mundial, a ordem digital.

Nesse âmbito, atenção leitor (a), temos os anunciantes perfeitamente percebendo essa gigante alteração, sendo eles e parte de suas agências os agentes ativos responsáveis por investir seus bilhões de dólares nos dois players majoritários globais nos tempos que correm.

Foram eles que decidiram colocar a maior parte de seus recursos no Google e no Facebook, gerando as estatísticas que acabo de citar aí acima, confere? Não foi nenhuma obra do acaso ou do além.

Terceiro, significa que não há o que temos chamado de mídia digital, há Google e Facebook. Ponto. O resto é peanuts.

E quarto, isso tudo junto significa que essas duas corporações passam a ter um poder de influência sobre tudo o que é produzido de conteúdo sobre tudo, em âmbito planetário, algo que desconhecemos até então.

Não vejo nenhum sinal de que esse cenário de concentração vá diminuir no curto prazo. Há o recente movimento das empresas de telecom, finalmente começando a entender-se como players de mídia, como já tive a oportunidade de comentar aqui, mas elas se mexeram tarde e são mamutes mastodônticos de telefonia e dados, não são empresas de tecnologia.

Assim, para o bem ou para o mal, as cartas que estão na mesa são essas. Qual seu cacife? Como é que você pretende jogar?

Ref: http://www.proxxima.com.br

 

 

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